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Alimentos Transgênicos

Você sabe o que é OGM?

Se você ainda não conhece essa sigla ainda vai ouvir falar muito dela. OGM quer dizer Organismo Geneticamente Modificado. Ou, simplesmente, transgênico. Trocando em miúdos, trata-se de um ser vivo cuja estrutura genética - a parte da célula onde está armazenado o código da vida - foi alterada pela inserção de genes de outro organismo, de modo a atribuir ao receptor características não programadas pela natureza. Uma planta que produz uma toxina antes só encontrada numa bactéria. Um microorganismo capaz de processar insulina humana. Um grão acrescido de vitaminas e sais minerais que sua espécie não possuía. Tudo isso é OGM.

A engenharia genética utiliza enzimas para quebrar a cadeia de DNA em determinados lugares, inserindo segmentos de outros organismos e  costurando a seqüência novamente. Os cientistas podem “cortar e colar” genes de um organismo para outro, mudando a forma do organismo e manipulando sua biologia natural a fim de obter características específicas (por exemplo, determinados genes podem ser inseridos numa planta para que esta produza toxinas contra pestes). Este método é muito diferente do que ocorre naturalmente com o desenvolvimento dos genes.

Um questão econômica ou política ?

Mais do que uma questão de saúde ou ambiental, a polêmica dos transgênicos envolve aspectos econômicos que não podem ser menosprezados. Deixar de investir nos transgênicos pode causar um atraso tecnológico para o país, mas ao mesmo tempo pode ser uma estratégia econômica para atingir mercados específicos que os rejeitam (como na maioria dos países da Europa). No cenário nacional, o Rio Grande do Sul, proibiu o plantio de transgênicos vislumbrando, entre outras coisas, o comércio com a Europa; mas vem sofrendo vários problemas com o comércio ilegal de sementes trasngênicas que vêm da Argentina.


Quais são os alimentos transgênicos existentes no Brasil?

Em entrevista ao Terra, o professor Flávio Finardi afirmou que os alimentos transgênicos existentes no Brasil, são a soja, utilizada como ingrediente de vários tipos de alimento, como o óleo de soja, leite de soja, etc. Todos esses produtos podem ser derivados de soja transgênica, pois são produzidos a partir da soja.

O milho transgênico ainda não foi liberado para produção e consumo no Brasil. Outro produto que possui transgênico em sua fórmula segundo o professor Finardi é o queijo. Para fermentar o leite e transformá-lo em queijo, os laticínios utilizam uma enzima produzida por uma bactéria. As enzimas são isoladas e depois colocadas no leite para coagulá-lo e produzir o queijo.

A canola produzida no Canadá e importada pelo Brasil também é transgênica. Ela é utilizada para a produção de óleo de cozinha. Neste caso, no entanto, nós não consumimos os transgênicos, pois durante o refinamento, as proteínas transgênicas são eliminadas do produto.

O que são transgênicos?

Transgênicos são seres vivos criados em laboratório com técnicas da engenharia genética que permitem transferir genes de um organismo para outro, mudando a forma do organismo e manipulando sua estrutura natural a fim de obter características específicas.

A soja transgênica, tão em pauta nos últimos anos, é um exemplo de organismo geneticamente modificado, pois recebeu genes de outros seres vivos que não são de sua espécie. A soja Roundup Ready da Monsanto, por exemplo, recebeu genes de uma bactéria para que se tornasse resistente ao herbicida Roundup - fabricado pela própria Monsanto -, permitindo um melhor controle de plantas daninhas

O que são organismos geneticamente modificados (OGM) e alimentos OGM?

Organismos geneticamente modificados (OGMs) podem ser definidos como organismos nos quais o material genético (DNA) foi alterado de uma maneira que não ocorreria naturalmente. Normalmente, esta tecnologia é denominada "biotecnologia moderna" ou "tecnologia genética", algumas vezes também pode ser denominada "tecnologia de recombinação de DNA" ou ainda "engenharia genética".

Esta tecnologia permite que genes individuais selecionados sejam transferidos de um organismo para outro, inclusive entre espécies não relacionadas. Estes métodos são usados para criar plantas OGM, que são então usadas para o cultivo de alimentos.

Quando surgiram os primeiros transgênicos?

As primeiras plantas transgênicas, ou seja, obtidas por engenharia genética, começaram a ser testadas em campo no início da década de 80.

Os estudos em biotecnologia se desenvolveram a partir do final do século 18 e do início do século 19. Mas já na Antigüidade o homem utilizava microorganismos para fazer pão, cerveja e vinho. Este é o início da utilização de microorganismos para criar novos e diferentes alimentos. A partir do século 19, com o progresso da técnica e da ciência, especialmente da microbiologia, aconteceram grandes avanços na tecnologia das fermentações.

No início do século 20 desenvolveram-se as técnicas de cultura de tecidos e a partir de meados do século surgiram novos horizontes com a biologia molecular e com a informática, que permitiram a automatização e o controle da produção de plantas industriais. As descobertas propiciaram um grande avanço no campo das ciências da vida.

No Brasil, a primeira planta transgênica foi produzida em 1986 pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Nenhuma notícia sobre estas plantas, muito provavelmente as primeiras produzidas na América do Sul, foi veiculada nos jornais.

O que é um DNA e para que ele serve?

Em 1953, exatamente há 50 anos, o cientista estadunidense James Watson, juntamente com Francis Crick, desvendaram a estrutura da molécula da vida - o DNA. A descoberta permitiu aos cientistas entender como as informações genéticas são armazenadas nas células, como estas informações são duplicadas e como são transmitidas de geração para geração. Esta descoberta rendeu a eles em 1962, juntamente com Maurice Wilkins, o Prêmio Nobel.

Esta molécula, que reproduz o código genético, é responsável pela transmissão das características hereditárias de cada espécie, quer seja nas plantas, nos animais (incluindo o homem) ou nos microrganismos. A molécula do DNA é formada por fosfato e açúcar e por seqüências de quatro bases nitrogenadas: adenina (A), timina (T), citosina (C) e guanina (G), ligadas por pontes de hidrogênio, formando uma dupla hélice. O DNA de todas as células do corpo humano é equivalente, em comprimento, a 8 mil vezes a distância da Terra à lua.

Quando e onde os transgênicos começaram a ser comercializados?

As primeiras plantas geneticamente modificadas começaram a ser comercializadas no início da década de 90, na China. As plantas do fumo e do tomate resistentes a vírus inauguram a grande evolução da biotecnologia. Nos EUA, o tomate Flavr-Savr com amadurecimento retardado, chega às prateleiras em 1994. A área global de culturas modificadas geneticamente foi de 1,7 milhão de hectares, em sete países, em 1996. Esta área foi aumentada para 11 milhões de hectares em 1997, e para 27,8 milhões de hectares em 1998. No ano de 1999, a área plantada com plantas geneticamente modificadas foi superior a 40 milhões de hectares. Segundo relatório publicado pelo ISAAA (Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações de Agrobiotecnologia), em 2002, a área global plantada com culturas geneticamente modificadas foi de 58,7 milhões de hectares.

Dentre as possibilidades prometidas pela biotecnologia estão: batatas com maior conteúdo de sólidos e que absorvem menos óleo quando fritas; batatas-vacinas que evitam doenças como a hepatite B; frutas e vegetais fortalecidos com vitaminas C e D; canola com óleo enriquecido com betacaroteno, convertido em vitamina A; produtos enriquecidos com Ômega 3, entre outros.

Os transgênicos representam risco para a saúde humana?

A avaliação de segurança dos alimentos GM geralmente analisa: (a) os efeitos diretos na saúde (toxidade), (b) a tendência de provocar reação alérgica (alergenicidade); (c) componentes específicos que se acredita terem propriedade nutritivas ou tóxicas; (d) a estabilidade do gene inserido; (e) efeitos nutritivos associados à modificação genética; e (f) quaisquer efeitos indesejáveis que poderiam resultar da inserção do gene.

Segundo o professor e pesquisador da USP, Flávio Finardi, é impossível estimar o nível de segurança de qualquer tipo de alimento no longo prazo, seja ele transgênico ou convencional, dentro dos mecanismos de pesquisa e análise existentes na atualidade. Qualquer alimento consumido diariamente pode representar algum tipo de risco à saúde. Para ele, os alimentos geneticamente modificados são tão seguros ou mais que os alimentos convencionais, pois já foram testados milhares de vezes.

Quanto às alergias, o professor José Maria da Silveira, da Unicamp diz que o alimento transgênico pode carregar uma proteína nova (vejam bem, ele diz que "podem", mas não necessariamente carregam), assim como o kiwi, que causou até morte por ser novidade. Segundo ele há vários avanços em andamento nesse campo, e a pesquisa com transgenia pode levar a um melhor entendimento do funcionamento das alergias.

Meio Ambiente

Os pontos de preocupação incluem: a capacidade do gene escapar e ser potencialmente introduzido em populações selvagens; a persistência do gene após o OGM ser colhido; a susceptibilidade de organismos não objetivados (ex. insetos que não são pragas) ao gene do produto; a estabilidade do gene; a redução no espectro das plantas incluindo a perda de biodiversidade; e o aumento do uso de produtos químicos na agricultura. Os aspectos de segurança ambiental das culturas GM variam consideravelmente de acordo com as condições locais.

As investigações atuais enfocam: o efeito potencialmente danoso a insetos benéficos ou uma introdução mais rápida de insetos resistentes; o potencial desenvolvimento de novas patogenias das plantas; potenciais conseqüências maléficas à biodiversidade e à vida selvagem e uma redução no uso da importante prática de rotação da lavoura em algumas situações locais; e a mutação de genes com resistência a herbicidas para outras plantas.

Quais são os alimentos transgênicos existentes no Brasil?

Em entrevista ao Terra, o professor Flávio Finardi afirmou que os alimentos transgênicos existentes no Brasil, são a soja, utilizada como ingrediente de vários tipos de alimento, como o óleo de soja, leite de soja, etc. Todos esses produtos podem ser derivados de soja transgênica, pois são produzidos a partir da soja.

O milho transgênico ainda não foi liberado para produção e consumo no Brasil. Outro produto que possui transgênico em sua fórmula segundo o professor Finardi é o queijo. Para fermentar o leite e transformá-lo em queijo, os laticínios utilizam uma enzima produzida por uma bactéria. As enzimas são isoladas e depois colocadas no leite para coagulá-lo e produzir o queijo.

A canola produzida no Canadá e importada pelo Brasil também é transgênica. Ela é utilizada para a produção de óleo de cozinha. Neste caso, no entanto, nós não consumimos os transgênicos, pois durante o refinamento, as proteínas transgênicas são eliminadas do produto. Como saber se os alimentos que consumimos no Brasil contêm transgênicos?

Através da Medida Provisória aprovada pela Câmara dos Deputados, e da lei de biossegurança em vigor, ficou estabelecido que o consumidor deve ser informado, em rótulo adequado, a respeito da origem de produtos transgênicos e de seus derivados e da presença de organismo geneticamente modificado nos alimentos

Que alimentos transgênicos estão internacionalmente no mercado?

Todas as culturas GM encontradas no mercado internacional hoje em dia foram projetadas usando-se uma de três características básicas: resistência aos danos causados pelos insetos; resistência a infecções virais e tolerância a certos herbicidas. Todos genes usados para modificar as culturas derivam de micro-organismos.

·  Milho com resistência a insetos: Argentina, Canadá, África do Sul,Estados Unidos, Comunidade Européia

·  Milho com tolerância a herbicidas: Argentina, Canadá, Estados Unidos, Comunidade Européia

·  Soja com tolerância a herbicidas: Argentina, Canadá, África do Sul, Estados Unidos, Comunidade Européia (apenas para processamento)

·  Óleo de colza com tolerância a herbicidas: Canadá, Estados Unidos

·  Escarola com tolerância a herbicidas: Comunidade Européia (somente para fins de criação)

·  Moranga com resistência a vírus: Canadá, Estados Unidos

·  Batata com resistência a vírus e tolerância a herbicidas: Canadá, Estados Unidos

O que é melhoramento genético?

Segundo o professor José Maria da Silveira, da Unicamp, melhoramento genético é um ramo da pesquisa agricola, médica e até ambiental que partindo das leis de Mendel aplicando a estatística (para avaliar ganhos) e o conhecimento de biologia, bioquímica, biofísica até bioinformática, procura alterar as plantas na direção de que ela passe a expressar (apresentar a olho visível) as características desejadas. Por exemplo, o milho original era uma planta pequena, coberta por muita palha. O milho hoje produz de 400 a 1000 grãos por espiga. Esse avanço é feito por comunidades indígenas, a olho nu, há muito tempo. Todavia, com o uso da ciência, nos últimos 50 anos houve resultados incríveis.


1. O alimento pode ser enriquecido com um componente nutricional essencial. Um feijão geneticamente modificado por inserção de gene da castanha do Pará passa produzir metionina, um aminoácido essencial para a vida. Um arroz geneticamente modificado produz vitamina A.

2. O alimento pode ter a função de prevenir, reduzir ou evitar riscos de doenças, através de plantas geneticamente modificadas para produzir vacinas, ou iogurtes fermentados com microrganismos geneticamente modificados que estimulem o sistema imunológico.

3. A planta pode resistir ao ataque de insetos, seca ou geada. Isso garante estabilidade dos preços e custos de produção. Um microrganismo geneticamente modificado produz enzimas usadas na fabricação de queijos e pães o que reduz o preço deste ingrediente. Sem falar ainda que aumenta o grau de pureza e a especificidade do ingrediente e permite maior flexibilidade para as indústrias.

4. Aumento da produtividade agrícola através do desenvolvimento de lavouras mais produtivas e menos onerosas, cuja produção agrida menos o meio ambiente.

1. . O lugar em que o gene é inserido não pode ser controlado completamente, o que pode  causar resultados inesperados uma vez que os genes de outras partes do organismo podem ser  afetados.

2. Os genes são transferidos entre espécies que não se relacionam, como genes de animais em vegetais, de bactérias em plantas e até de humanos em animais. A engenharia genética não respeita as fronteiras da natureza – fronteiras que existem para proteger a singularidade de cada espécie e assegurar a integridade genética das futuras gerações.

3. A uniformidade genética leva a uma maior vulnerabilidade do cultivo porque a invasão de pestes, doenças e ervas daninha sempre é maior em áreas que plantam  o mesmo tipo de cultivo. Quanto maior for a variedade (genética) no sistema da agricultura, mais este sistema estará adaptado para enfrentar pestes, doenças e mudanças climáticas que tendem a afetar apenas algumas variedades.

4. Organismos antes cultivados para serem usados na alimentação estão sendo modificados para produzirem produtos farmacêuticos e químicos. Essas plantas modificadas poderiam fazer uma polinização cruzada  com espécies semelhantes e, deste modo, contaminar plantas utilizadas exclusivamente  na alimentação.  

5. Os alimentos transgênicos poderiam aumentar  as alergias. Muitas pessoas são alérgicas a determinados alimentos em virtude das proteínas que elas produzem. Há evidencias de que os cultivos transgênicos podem proporcionar um potencial aumento  de alergias em relação a cultivos convencionais.

Os mitos da Biotecnologia

As corporações agroquímicas que controlam a orientação e os objetivos das inovações na agricultura através da biotecnologia argumentam que a engenharia genética estimulará a sustentabilidade na agricultura e solucionará os problemas que afetam a agricultura convencional e tirará os agricultores do Terceiro Mundo da baixa produtividade, pobreza e fome (Molnar e Kinnucan 1989, Gresshoft 1996). Comparando os mitos com a realidade é possível observar que os desenvolvimentos atuais na biotecnologia agrícola não satisfazem as promessas feitas e as expectativas criadas em torno deles.

A Biotecnologia beneficiará os pequenos agricultores e favorecerá os famintos e os pobres do Terceiro Mundo.

 Ainda que exista fome no mundo e se sofra devido à poluição por pesticidas, o objetivo das corporações multinacionais é obter lucros e não praticar a filantropia. É por isto que os biotecnologistas criam as culturas transgênicas para uma nova qualidade de mercado ou para substituir as importações e não para produzir mais alimentos (Mander e Goldsmith 1996). No geral, as companhias que trabalham com biotecnologia estão dando ênfase a uma faixa limitada de culturas para as quais existe um mercado seguro e suficiente, visando os sistemas de produção exigentes em capital. Se os biotecnologistas estiverem realmente interessados em alimentar o mundo, porque o gênio científico da biotecnologia não procura desenvolver variedades de culturas que sejam mais tolerantes a ervas daninhas em vez de ser tolerantes a herbicidas? Ou porque não estão sendo desenvolvidos outros produtos mais promissores da biotecnologia tais como plantas fixadoras de nitrogênio e plantas resistentes à seca?

A Biotecnologia estimulará a conservação da biodiversidade.

Embora a biotecnologia tenha a capacidade de criar uma grande variedade de plantas comerciais e desta forma contribuir para a biodiversidade, este fato é improvável de ocorrer. A estratégia das multinacionais é criar grandes mercados a nível internacional para um único produto. Os sistemas agrícolas desenvolvidos com plantas transgênicas mediante a biotecnologia favorecerão as monoculturas, as quais estão caracterizadas por níveis perigosamente elevados de homogeneidade genética levando a uma maior vulnerabilidade dos sistemas agrícolas

A Biotecnologia é ecologicamente segura e constituirá o início de uma era de agricultura sustentável livre de químicos.

Espera-se que a Biotecnologia venha solucionar os problemas causados pelas tecnologias agroquímicas anteriores (resistência a pesticidas, poluição, degradação do solo, etc.) que foram promovidas pelas mesmas companhias que atualmente lideram a bio-revolução. As culturas transgênicas provavelmente estimularão um aumento no uso de pesticidas, o surgimento de insetos resistentes e acelerarão a evolução das “super ervas daninhas” (Rissler e Mellon 1996). Já foi provado que a idéia de resistência de “uma praga – um gene”, é rapidamente superada pelas pragas que estão continuamente adaptando-se a novas situações e desenvolvendo mecanismos de detoxificação (Robinson 1997). A promoção das monoculturas comprometerá os métodos agrícolas ecológicos, tais como rotação de culturas e o plantio de policulturas (Hindmarsh 1991).

 A Biotecnologia estimulará o uso da biologia molecular em benefício de todos os setores da população.

A demanda pela nova biotecnologia não surge como o resultado de demandas sociais e sim a partir de mudanças na lei de patentes e do interesse econômico das companhias químicas em associar as sementes aos pesticidas. Á medida em que as universidades realizem parcerias com as corporações, a responsabilidade social dos cientistas fica comprometida. Áreas de pesquisa em controle biológico e agroecologia que não atraem o apoio das corporações são deixadas de lado, apesar disso não refletir o interesse público (Kleinman e Koppenburg 1988).

No Mundo

O cultivo irrestrito  e o marketing de certas variedades de tomate , soja, algodão, milho, canola e batata já foram permitidos nos EUA. O plantio comercial intensivo também é feito na Argentina, Canada e China. Na Europa, a autorização para comercialização foi dada para fumo, soja, canola, milho e chicória, mas apenas o milho é plantado em escala comercial (na França, Espanha e Alemanha, em pequena escala, pela primeira vez em 1998). Molho de tomate transgênico já é vendido no Reino Unido e o milho e a soja transgênica já são importados dos EUA para serem introduzidos em alimentos processados e na alimentação animal. De fato, estima-se que aproximadamente 60% dos alimentos processados contenham algum derivado de soja transgênica e que 50% tenham ingredientes de milho transgênico. Porém , como a maioria destes produtos não estão rotulados, é impossível saber o quanto de alimentos transgênicos está presente na nossa mesa. No Canada e nos EUA, não há qualquer tipo de rotulagem destes alimentos. Na Austrália e Japão a legislação ainda está sendo implementada. Em grande parte do mundo os governos nem sequer são notificados se o milho ou a soja que eles importam dos EUA são produtos de um cultivo transgênico ou não.

No Brasil

Segundo o Artigo 225 da Constituição Federal Brasileira: "Todos tem direito ao  meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do  povo e essencial a sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder  Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as  presentes e futuras gerações: 

Parágrafo 1. Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

(...)

II - Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético  do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e  manipulação de material genético;

(...)

IV - exigir, na forma de lei, para a instalação de obra ou atividade  potencialmente causadora de significativa degradação do meio  ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará  publicidade;

V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de  técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida,  a qualidade de vida e o meio ambiente;..."

Em 1995, foi aprovada a Lei de Biossegurança no Brasil, que gerou a constituição da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), pertencente ao MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia). Este fato permitiu que se iniciassem os testes de campo com cultivos geneticamente modificados, que são hoje mais de 800.

Cronologia

Dezembro/97 - A CTNBio autoriza o desembarque do primeiro carregamento de soja geneticamente modificada.

Junho/98 - A Monsanto envia à CTNBio pedido de liberação do cultivo comercial da soja transgênica. A soja Roundup Ready é objeto do primeiro pedido para uso em escala comercial - até então todos os pedidos haviam sido para cultivo experimental.

Setembro/98 - A 11ª Vara da Justiça Federal, aplicando o princípio da precaução, proibe a União de autorizar o plantio comercial de soja transgênica enquanto não regulamentar a comercialização de produtos geneticamente modificados e realizar estudo prévio de impacto ambiental.

Junho/99 - O Ministério da Justiça elabora um projeto de portaria exigindo a rotulagem de todo alimento geneticamente modificado ou que tenha no seu processo industrial algum componente obtido por esse método.

Janeiro/00 - A Monsanto anuncia que construirá um laboratório de biotecnologia em Minas Gerais e uma fábrica de herbicida na Bahia. O Brasil aprova o Protocolo de Biossegurança da ONU, apoiando o Princípio de Precaução, que permite a um país não aceitar a importação de organismos geneticamente modificados em virtude dos riscos que podem trazer ao meio ambiente e à saúde humana.

Transgênicos à venda

Testes feitos em laboratórios europeus detectaram a presença de transgênicos em 11 lotes de produtos vendidos no Brasil, a maioria deles contendo a soja geneticamente modificada Roudup Ready, da Monsanto ou com o milho transgênico Bt, da Novartis.

- Nestogeno, da Nestle do Brasil, fórmula infantil a base de leite e soja para lactentes contendo soja RR;
- Pringles Original, da Procter & Gamble, batata frita contendo milho Bt 176 da Novartis;
- Salsicha Swift, da Swift Armour, salsichas do tipo Viena contendo soja RR;
- Sopa Knorr, da Refinações de Milho Brasil, mistura para sopa sabor creme de milho verde contendo soja RR;
- Cup Noodles, da Nissin Ajinomoto, macarrão instantâneo sabor galinha contendo soja RR;
- Cereal Shake Diet, da Olvebra Industrial, alimento para dietas contendo soja RR;
- Bac’Os da Gourmand Alimentos (2 lotes diferentes), chips sabor bacon contendo soja RR;
- ProSobee, da Bristol-Myers, formula nao lactea a base de proteína de soja contendo soja RR;
- Soy Milk, da Ovebra Industrial, alimento a base de soja contendo soja RR;
- Supra Soy, da Jospar, alimento a base de soro de leite e proteina isolada de soja contendo soja RR.

1. Muitas multinacionais de biotecnologia tentam convencer a opinião pública  a respeito dos benefícios dos transgênicos, argumentando que a engenharia genética vai reduzir o uso de agrotóxicos. Mas, contraditoriamente, as mesmas empresas estão aumentando a sua capacidade de produção destes produtos, chegando, inclusive a pedir permissão para aumentar os resíduos destes químicos na engenharia genética.

2. Até agora, a maioria das empresas que desenvolvem os transgênicos tem direcionado suas pesquisas para a  produção de organismos resistentes a seus próprios herbicidas. Isto quer dizer que se uma plantação receber agrotóxicos, todas as plantas morrerão, exceto as que forem resistentes aos mesmos. Dos 27.8 milhões de hectares plantados em 1998 no mundo, 71% eram resistentes à herbicidas. Nos Estados Unidos as sementes transgênicas são vendidas sob um contrato especificando que agricultores que guardarem sementes para plantar na próxima estação, ou  usarem outro herbicida que não o produzido pela empresa, poderão ser processados.

3. Experimentos de laboratório em 1998 demostraram que a transferência genética poderia ocorrer entre o açúcar de beterraba transgênico e uma bactéria do solo chamada Acenitobacter. Em teoria, qualquer inseto, pássaro ou outro animal poderia pegar esta bactéria do solo e levar para outro local. Uma vez solto, este novo organismo produzido pela engenharia genética seria  capaz de interagir com outras formas de vida, reproduzir-se, transferir suas características para outras espécies e sofrer mutações, entre outras conseqüências o meio ambiente. Uma vez introduzidos no meio ambiente, dificilmente estes organismos transgênicos poderão ser recolhidos novamente. Portanto, qualquer erro ou consequência indesejável pode então ser repassados para gerações futuras.

4. Um estudo recente elaborado na Suíça descobriu que as Lacewings (insetos benéficos que atacam as pestes das lavouras), quando alimentadas com milho Bt, morrem com mais facilidade. O uso de toxinas contra insetos em cultivos transgênicos,  também é um fator preocupante, porque pode afetar a base da cadeia alimentar.

5. A Monsanto desenvolveu a tecnologia chamada “exterminadora” (Terminator). Visando proteger sua patente, a empresa produziu sementes que, quando plantadas novamente, são incapazes de germinar. A técnica de guardar as melhores sementes para a próxima estação é uma prática milenar utilizada por mais de um bilhão de agricultores em todo o mundo.

6. Enquanto cientistas trocam genes de lugar, uma corrente de produtores agrícolas e de consumidores faz questão de seguir na contramão da tecnologia. Seu negócio: plantar e colher, de um lado, e comprar e consumir, de outro, alimentos produzidos da forma mais natural possível, sem fertilizantes químicos, agrotóxicos e, muito menos, modificações genéticas.A pequena produção orgânica brasileira não alcança a demanda – na verdade, quase tudo é exportado para a Europa e os Estados Unidos.

1. "Esta é uma tecnologia imperfeita que traz o perigo....O mais preocupante é a  imprevisibilidade dos seus resultados."

Dr.Michel Antoniou (Senior Lecturer in Molecular Biology, London)

2. "Como nunca nenhum gene funcionou isolado, sempre haverá um efeito inesperado e imprevisível de um gene estrangeiro introduzido em um outro organismo."

Dr. Mae Wan-Ho, Open University, Reino Unido

3. "A Monsanto não deveria se responsabilizar pela segurança dos alimentos produzidos pela biotecnologia. Nosso interesse é vender o máximo possível."

Philip Angell, Diretor de comunicação da Monsanto

4. "A biotecnologia está sendo desenvolvida usando o mesmo discurso que promoveu os defensivos agrícolas. O intuito é atingir  dois objetivos a curto prazo: aumentar a produção e as margens de lucro. Este discurso segue o ponto de vista de que a natureza deve ser dominada, explorada e forçada a produzir mais, infinitamente... Este pensamento reducionista analisa sistemas complexos como o da agricultura em termos das partes que o compõem e não como um sistema integrado à natureza. Nessa concepção, o sucesso da agricultura significa ganhos de produtividade a curto prazo, em vez de sustentabilidade a longo prazo."

Jane Rissler (Union of Concerned Scientists)

4. "A conservação dos recursos naturais pode ser um meio melhor e mais seguro de resolver o problema da produção de alimentos e da fome nos países pobres, mesmo porque a fome é menos uma questão de comida do que de dinheiro para comprá-la"

Príncipe Charles

Diante do vasto campo de atuação da biotecnologia, visualiza-se que nos próximos anos pode-se ter ganhos expressivos em diversos setores da sociedade, como por exemplo nas indústrias de alimentos (produtos com maiores qualidades de cor, sabor, textura, rendimento) e farmacêuticas (plantas que ofereçam produtos farmacêuticos ou de maior efeito médico).

Por outro lado é preciso investir em ciência básica para estabelecer protocolos adequados às condições ambientais e à biodiversidade própria do território nacional. Devem ser criados mecanismos públicos de controle, monitoramento e avaliação dos riscos ambientais e sociais causados pela biotecnologia e seus produtos.

Embora a biotecnologia ofereça a possibilidade de uma agricultura melhor, devido a sua orientação atual ela representa uma ameaça ambiental, uma industrialização ainda maior da agricultura e a grande intromissão de interesses privados na pesquisa do setor público. Até agora, o domínio econômico e político do desenvolvimento agrícola por parte das multinacionais, tem prosperado às custas dos interesses dos consumidores, dos trabalhadores agrícolas, dos pequenos produtores, da vida silvestre e do meio ambiente.

Muitas vezes o uso da engenharia genética na agricultura é justificada pelo aumento da população mundial. Porém, de acordo com as Nações Unidas, o mundo produz uma vez e meia a quantidade de alimentos necessária para alimentar toda a população do planeta. Apesar disso, uma em cada sete pessoas passa fome no mundo. O problema da fome está, portanto, intimamente ligado com as desigualdades sociais. Assim sendo, a engenharia genética, pelo menos até o momento, não se mostrou capaz de ser uma alternativa para solucionar o problema. Pelo contrário, a falsa idéia de que a biotecnologia é a solução, permite que governos e indústrias se distanciem do seu compromisso político de lidar com as desigualdades sociais que levam à fome.

O futuro da pesquisa baseada na biotecnologia deverá ser determinado por uma relação de forças, e não há razão para que os agricultores e o público em geral, devidamente fortalecidos, não consigam influenciar o rumo da biotecnologia para atingir objetivos sustentáveis.

 

"Comida Frankenstein" - Revista Superiteressante -

"Os Alimentos Geneticamente Modificados" - Site do IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor)

"Beyond 'Substantial Equivalence'" - Erik Millstone, Erik Brunner e Sue Mayer - Revista Nature –

"Impactos Ambientais da Engenharia Genética" - Greenpeace

"Os Mitos da Biotecnologia Agrícola: Algumas Questões éticas" - Miguel A. Altieri - Greenpeace

"O Que é Engenharia Genética Aplicada a Alimentos" - Greenpeace

"Resistência Antibiótica em Organismos Modificados Geneticamente" - Greenpeace

"Transgênicos - Aspectos Jurídicos" - Greepeace

"Dois Caminhos na Era dos Transgênicos" - Entrevista: Hans Günter Gassen - Site da Monsanto

"O Que a Biotecnologia Pode Fazer Pelo Mundo" - Site da Monsanto

"Biotecnologia - Perguntas Mais Frequentes" - Site da Monsanto

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